Bem-vindo(a) à Linha Podológica. Aqui poderá expor as suas questões e obter informações úteis sobre Podologia, a ciência da área da saúde humana responsável pela investigação, prevenção, diagnóstico e tratamento dos problemas de saúde do pé e das suas repercussões no corpo humano.

Espero que este blog lhe seja útil!
Este blog foi feito a pensar na saúde e bem-estar dos seus pés. Espero que lhe seja útil! Compostos por 26 ossos, 33 articulações, 20 músculos e mais de 100 ligamentos, os pés são o alicerce de todo o corpo, e é deles que depende o equilíbrio do aparelho locomotor. A saúde e o bem estar dos nossos pés deve ser mais do que uma simples preocupação estética e requer os cuidados especializados de um Podologista.

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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

Prepare os seus pés no outono e no inverno para que sejam saudáveis na primavera e no verão!

Com a chegada do tempo mais frio e da chuva é inevitável voltar a usar calçado fechado!

Para garantir uma boa manutenção da higiene e saúde dos seus pés, tenha em conta alguns conselhos práticos:

 

Consulte um podologista no outono.

Uma consulta de higiene e manutenção é aconselhada para prevenir problemas nos pés, nomeadamente fungos da pele (dermatomicoses) e das unhas (onicomicoses), excesso de transpiração (hiperhidrose) e mau odor (bromohidrose).

Os podologistas utilizam técnicas e equipamentos altamente diferenciados para o tratamento e manutenção dos pés.

Se tiver um problema de excesso de calosidade (hiperqueratose) ou uma infecção fúngica esta é uma boa altura para tratar, pois poderá ter o problema solucionado e obter uns pés cuidados e sem problemas quando chegar novamente o tempo de usar calçado aberto e de mostrar novamente os seus pés!

 

A escolha do calçado é muito importante e por esse motivo os conselhos abaixo indicados poderão ser extremamente úteis:

 

Características a ter em conta na escolha do calçado para o dia-a-dia:

  • Pele natural ou couro curtido.
  • Sola amortecedora (borracha/elastómero ou couro, mas este é mais duro e perde-se a propriedade de amortização dos choques) e flexível, mas não demasiado mole para que não haja movimentos de torção do pé.
  • Frentes amplas que respeitem a volumetria do pé e dos dedos para que caibam em toda a sua amplitude e se movam dentro do sapato sem sofrerem apertos e deformações.
  • Contraforte no calcanharque sustente o calcanhar e impeça a instabilidade do pé (não se recomenda sapatos com contraforte mole no calcanhar).
  • Salto ideal entre 2 e 3 cm.

Os critérios básicos de selecção de calçado ideal para o dia a dia, são os acima referidos. Contudo existem outros critérios igualmente importantes que se puderem ser atendidos só trarão benefícios:

  • Comprar os sapatos ao final do dia (quando o pé está mais dilatado),
  • Escolher o número do sapato, atendendo ao comprimento do dedo mais comprido que nem sempre é o primeiro dedo (dedo mais gordinho ou hallux),
  • Evitar costuras, principalmente a nível digital,
  • Podem ter velcros, fivelas, elásticos ou atacadores que facilitam o ajustamento ou alargamento do sapato mediante a necessidade,
  • Devemos optar por marcas ou modelos de sapatos que já conhecemos, que tenhamos usado ou que sabemos que nos farão sentir bem,
  • Não devemos comprar sapatos apertados e que não ‘encaixem’ ou não se adaptem bem ao pé.

Tenha em conta que o nosso pé alarga e alonga ao longo da vida!

A carga a que estão diariamente submetidos para transportarem o nosso corpo, por vezes o aumento de peso, a gravidez nas mulheres, são fatores que promovem o abatimento das estruturas do pé (alongam o pé) e o aumento dos espaços interósseos (alargam o pé). Deste modo devemos verificar com regularidade o número ou o tamanho do calçado, pois, pode ser necessário um calçado maior à medida que os anos vão passando.

Há autores que defendem que se compre calçado 1 a 2cm maior do que o pé para que os dedos não toquem na ponta do sapato e possam ter espaço para se movimentarem dentro do calçado, respeitando assim a volumetria digital.

Uma boa forma de percebermos se os dedos têm espaço suficiente é reparar nas articulações por cima dos dedos se estas se apresentam curvas (dedos em garra) ou se os dedos estão muito unidos e até sobrepostos no momento em que nos descalçamos, percebemos que o espaço para os dedos é pouco ou que o calçado está demasiado justo.

Devemos optar sempre por um calçado que permita usar um número um pouco maior do que o tamanho dos nossos pés, para que o pé não fique apertado ou demasiado ajustado!

Para que seja mais fácil andar de calçado um pouco maior do que o nosso pé, no outono e no inverno, opte por botas e botins desta forma o calçado não sai do pé e o pé sente-se mais 'à vontade' do que com um sapato!

E porque nunca é demais lembrar:

Faça uma consulta de manutenção e higiene antes do verão e depois do verão, por isso está na altura de visitar o seu podologista!

Joana Azevedo

Podologista

 


publicado por Dra. Joana Azevedo às 15:08

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Domingo, 6 de Abril de 2014

Podologia/Podologistas - Factos e curiosidades sobre pés

1. Um adulto dá em média 4000 a 6000 passos por dia, o que equivale a 5 voltas à terra ao longo da sua vida.

 

2. Entre 75 e 80% da população adulta tem algum problema nos pés.

 

3. Todos os anos a população feminina perde 44 milhões de dias de trabalho devido a dores nas costas, causadas pelo uso de saltos altos e sapatos inadequados. Na realidade, as mulheres têm cerca de 4 vezes mais problemas nos pés do que os homens, sendo o uso de saltos altos um dos factores que mais contribui para este problema.

 

4. Sabia que os nossos pés são a zona do corpo com mais glândulas suduríparas por centímetro quadrado? Os pés possuem 250000 glândulas suduríparas que produzem mais de dois decilitros de suor por dia!

 

5. 20% da população considera os pés a zona menos atraente do seu corpo.

 

6. Porque é que as mulheres têm mais problemas nos pés do que os homens?

Um estudo americano chamado 'Se o sapato lhe servir, use-o' concluiu que 9 em cada 10 mulheres usam sapatos demasiados pequenos para o tamanho dos seus pés e que acima dos 60 anos 70% das mulheres terão problemas osteoarticulares nos seus pés.

À medida que envelhece, os seus pés tendem a alongar e a alargar, mas poucas mulheres gostam de os medir a partir dos 20 anos.

Os problemas nos pés aparecem maioritariamente, aos 40, 50 e 60 anos, no seguimento de décadas de utilização de sapatos mal dimensionados.

Há autores que referem que devemos usar calçado com comprimento, cerca de 2cm mais do que o nosso pé. Desta forma há mais espaço para os dedos e evitam-se as deformações dos mesmos. 

Se a pressão social sobre os aspecto das mulheres e o tipo de sapatos 'aceitáveis' mudasse, haveria muito menos problemas nos pés!

 

Fonte: feetforlife.org


publicado por Dra. Joana Azevedo às 12:30

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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012

Calçado Adequado – Declive Máximo Fisiológico

Artigo publicado na revista da Associação Portuguesa de Podologia’Saúde em Pé’ em abril 2012

Todos os direitos reservados. Não são permitidas cópias ou plágio do artigo, a publicação de excertos ou da totalidade do artigo está legalmente obrigada a identificar os autores.


Autores:


Joana Azevedo1, João Gomes2

1Podologista Grupo Cordeiro Saúde|Responsável Linha Podiátrica Canal Sapo Saúde; linhapodologica@sapo.pt

2Engenheiro Mecânico|Director Coordenador Operações ALD Automotive Portugal|Grupo Societé Générale


Resumo:


A escolha do calçado adequado é muito importante para a saúde do pé e para o bem-estar físico e psíquico do ser humano.

O calçado inadequado é uma das principais causas de dor no pé, do restante membro inferior e coluna vertebral. É também o principal responsável por diversas alterações biomecânicas e por patologias a elas associadas, como entorses e lesões, que não se limitam apenas ao membro inferior.

Este trabalho tem como principal objectivo salientar a importância da escolha de calçado adequado para a preservação da integridade biomecânica do pé, do membro inferior e do organismo em geral. Em complemento realizou-se um estudo para analisar a altura dos saltos e o declive dos pés da amostra em estudo.

 A elaboração deste trabalho centrou-se nos critérios e características de selecção do calçado adequado, na identificação das principais alterações biomecânicas e patologias consequentes do uso de calçado inadequado e na definição dos critérios de selecção da altura do salto, especialmente no calçado feminino.

É do conhecimento geral que a altura do salto é um factor de extrema importância no comportamento biomecânico do pé em cadeia cinética fechada. Por outro lado, somos diariamente confrontados com uma questão que se torna pertinente; ‘qual é a altura do salto mais indicada para cada pessoa?’

Graças à união entre a biomecânica do corpo humano da área da Podologia e a trigonometria, matemática e engenharia, é possível desenvolver uma tabela da variação do declive em função da altura do tacão e do comprimento do pé e assim estabelecer um limite entre o Declive Fisiológico e o Declive Patológico.

O estudo foi baseado numa amostra de 100 pacientes de sexo feminino da Consulta de Podologia da Clínica do Estoril. O tratamento de dados estatísticos incidiu na variação do declive em função da altura do salto e da faixa etária. Através da análise dos dados concluímos que 60% da amostra estudada usa salto adequado para o seu pé e portanto podemos concluir que a maioria da população em estudo apresenta um declive fisiológico.

Concluímos que o declive varia praticamente na proporção directa da variação da altura do salto, uma vez que a média do número de calçado está compreendida num intervalo muito reduzido, entre os números 36 e 38, em qualquer dos escalões etários.


Introdução:


Um estudo norte-americano concluiu que:

Nove em cada dez mulheres usam sapatos demasiado pequenos para os seus pés. [1]

Todos os anos a população feminina mundial perde 44 milhões de dias de trabalho devido a dores causadas pelos saltos altos e sapatos inadequados. [1]

As mulheres têm 4 vezes mais problemas nos pés do que os homens, devido ao calçado inadequado, principalmente, devido ao uso de saltos altos e frentes apertadas. [1]

A indústria do calçado é cada vez mais padronizada, o que inevitavelmente prejudica as capacidades funcionais do pé. Cada pessoa necessita de aconselhamento personalizado para o seu calçado. [2] Mesmo quem não tem patologia de risco ou alterações associadas.

Na hora de escolher o ‘sapato ideal’ para o dia-a-dia e principalmente para quem passa muito tempo em pé ou tem problemas nos pés, devemos compreender e respeitar a máxima: O sapato adapta-se ao pé não é o pé que se adapta ao sapato [3]

É errado comprar um sapato que está justo ou um pouco apertado pensando que passado uns dias já alargou. [4]

O facto de ter alargado com a ajuda do pé significa que o pé esteve comprimido, apertado e em esforço dentro do sapato. O mais certo é ter provocado dor ou incómodo, o que já não é bom. Mas o mais grave é que certamente provocou alterações ou deformações osteo-articulares e/ou musculo-ligamentares que por vezes não são imediatamente visíveis, mas que no futuro podem ter consequências devastadoras para o pé, como os joanetes, os dedos em garra e os calos ou calosidades, entre outras.

Sapatos, meias e ortóteses devem respeitar a biomecânica do pé, favorecer e permitir o arejamento cutâneo, permitir a liberdade dos dedos, evitar o deslizamento do pé para a frente e assegurar a sua estabilidade transversal, evitando desequilíbrios e instabilidade.

Se pensarmos na anatomia, fisiologia e biomecânica do pé, percebemos que o calçado imposto para a vida em sociedade e o caminhar sobre solos artificiais prejudicam as capacidades e propriedades biomecânicas naturais do pé.

Na realidade, um objecto estático como o sapato nunca pode adaptar-se na perfeição a um órgão dinâmico como o pé. Isto resulta numa relação de compromisso com os inevitáveis conflitos que qualquer solução de compromisso acarreta.

O pé é um órgão ancestral que está preparado para caminhar descalço sobre terrenos irregulares e algo adaptáveis às suas curvaturas [5]. Se pensarmos nesta frase, percebemos que caminhar num solo liso e estático como aquele que temos nas cidades e nas nossas casas não é o mais adequado para a grande maioria dos pés adultos.

É por isso que os estudos sobre ergonomia e biomecânica do pé afirmam que: 2 a 3cm de salto é apropriado e até indicado para quase todos os adultos [4], uma vez que contribui para a adaptação do pé ao solo artificial e nada ergonómico dos nossos dias.

Mas será correcto afirmar que um salto entre 2 e 3cm é sempre adequado para todas as pessoas?

Para responder a esta questão foi elaborada uma tabela de variação do declive em função do número do calçado (comprimento do pé) e da altura do tacão, cujos valores devem ser interpretados tendo em conta que o declive máximo fisiológico é de 10 graus[6].

É importante referir que a medida correspondente aos dedos (25% do comprimento total do pé) deve ser desprezada uma vez que o uso de saltos altos coloca os ‘pés permanentemente numa posição flectida, e com os dedos esticados’[7], a fazer um ângulo de 0⁰ com o piso, como demonstra a figura abaixo.

 

Fonte: Cronin J, Reynolds G. A Scientific Look at the Dangers of High Heels


Critérios básicos de selecção de calçado adequado:

  • Comprar os sapatos ao final do dia, quando o pé está mais dilatado, [4]
  • Escolher o número do sapato, atendendo ao comprimento do pé maior [4] e do dedo mais comprido, que nem sempre é o Hallux,
  • Confirmar o número do calçado frequentemente, pois o pé modifica-se com o passar dos anos, [4] Para isso devemos experimentar o número que pensamos ser adequado bem como o número acima,
  • Dar preferência ao calçado com velcros, fivelas, elásticos ou atacadores que facilitam o ajustamento ou alargamento do sapato mediante as necessidades,
  • Evitar costuras, principalmente a nível digital,
  • Devemos optar por marcas ou modelos de sapatos que já conhecemos, que tenhamos usado ou que sabemos que nos farão sentir bem,
  • Não devemos comprar sapatos apertados e que não ‘encaixem’ ou não se adaptem bem ao pé,
  • Colocar o pé por cima do sapato e, em pé, encaixar o calcanhar. Deve sobrar um espaço entre os dedos  e a ponta do sapato, para que não fique apertado.
  • O pé dentro do sapato deve deslizar um pouco, [4]
  • Devemos experimentar o par de sapatos, caminhando um pouco na loja [4]

Características a ter em conta na escolha do calçado adequado[4] [8]:

  • Pele natural ou couro curtido.
  • Sola amortecedora (borracha/elastómero ou couro, mas este é mais duro e perde-se a propriedade de amortização dos choques) e flexível, mas não demasiado mole para evitar movimentos de torção do pé.
  • Frentes amplas que respeitem a volumetria do pé e dos dedos, para que caibam em toda a sua amplitude e se movam dentro do sapato sem sofrerem apertos e deformações.
  • Contraforte no calcanhar que sustente o calcanhar e impeça a instabilidade do pé (não se recomenda sapatos com contraforte mole no calcanhar).
  • Largura de tacão conveniente ≥ 2cm
  • Altura de salto conveniente entre 2 e 3cm. (?)

A instabilidade do pé aumenta com tacões inferiores a 2cm de largura e com altura superior a 2,5cm. Estes parâmetros influenciam a estabilidade transversal do pé e tornozelo. [3]

Por norma um salto com largura superior a 2cm e altura menor que 5cm não prejudica a fisiologia do pé são ou normal. [3]

Ao interpretarmos estes conceitos podemos questionar se este valor de altura de salto será igual para todas as pessoas.

A partir desta dúvida - Qual a altura máxima de salto capaz de respeitar a fisiologia do pé são? - surgiu o mote para este trabalho.

Sabemos que o Declive Máximo Fisiológico é 10⁰ [6], de forma a não colocar o pé bem como o restante membro inferior e coluna numa posição que possa conduzir a alterações nefastas.

Para respeitar o declive máximo fisiológico e evitar alterações biomecânicas, a altura do tacão não deve exceder um valor limite, que varia em função do comprimento do pé e pode ser encontrado utilizando a função trigonométrica arcotangente, que define o declive em função do comprimento e da altura.

 

O salto adequado depende do declive máximo fisiológico do pé

O declive é a relação entre o comprimento do pé e a altura do tacão

Função Trigonométrica:

Declive = Arcotangente (Altura/Comprimento)

Nota: Após obtenção dos valores de declive em radianos, convertemos em graus (100 rad = 90⁰)

 

A partir do estudo da Inclinação Máxima Fisiológica do Pé – Declive – podem estabelecer-se valores de referência para a Altura Máxima Fisiológica do Tacão em função da medida do Comprimento do Pé de cada pessoa.

Através desta relação é possível criar uma tabela que estabelece o declive do sapato (em graus) em função da altura do tacão e do comprimento do pé. Deste modo podemos estudar e dar a conhecer à comunidade científica e podiátrica qual a altura do salto máximo fisiológica para cada pessoa, atendendo ao comprimento de cada pé.

 


Análise:

 

Através da análise da tabela, percebemos que o salto máximo fisiológico não é igual para todas as pessoas, pois depende do comprimento do pé de cada uma.

No entanto, é possível estabelecer como critério que o salto deve ser sempre inferior a 5cm (mesmo para comprimentos de pés mais elevados).

De um modo geral podemos dizer que:

  • Se calça entre 35 e o 39 o salto máximo é 3,5cm
  • Se calça entre o 40 e o 42 o salto máximo é 4cm

As medidas acima referidas correspondem às alturas máximas de salto para que não se ultrapasse o declive máximo fisiológico.

No gráfico abaixo podemos identificar o salto máximo fisiológico para cada número de calçado.

 

Gráfico 1: Obtemos a altura de salto máxima em função do número de calçado para um declive de 10⁰.

- À medida do comprimento total do pé subtraímos 25% correspondente à zona dos dedos, pois não é afectada pela variação do salto (declive 0⁰).

- À altura do tacão subtraimos 0,5cm correspondente à altura da sola do mediopé e antepé (≥ 0,5cm).

- No caso de calçado com sola compensada é necessário retirar o valor da compensação anterior, ao valor da altura do salto.

 

Alterações Biomecânicas Consequentes do Declive Patológico a nível do Membro Superior:

 

A principal alteração de um declive do pé superior a 10⁰ a nível do membro superior é o deslocamento no sentido anterior do centro de gravidade, que leva a hiperlordose lombar. O aumento da curvatura lombar no plano sagital está associado a uma anteversão da pelve.

A hiperlordose mantida origina sintomatologia dolorosa a nível da coluna vertebral, sendo as lombalgias as mais frequentes.

 

Alterações Biomecânicas Consequentes do Declive Patológico a nível do Membro Inferior:

  • Transferência de Carga para a Zona Anterior do Pé
  • Diminuição da Superfície de Apoio / Base de Sustentação
  • Hiperpressão do Antepé
  • Aumento da Instabilidade da Articulação Tibiotársica
  • Encurtamento do Tendão de Aquiles e da Musculatura Posterior da Perna
  • Debilidade das Estruturas Musculo-Ligamentares
  • ‘Sobrecarga nas Articulações dos Joelhos’

 Segundo o Reumatologista António Vilar ‘…Com saltos acima dos 6 cm, caminhamos sempre com os joelhos em flexão, o que sobrecarrega a articulação dos joelhos…’

 

 Principais Patologias Associadas ao uso de Calçado Inadequado:

  • HAV
  • Exostoses Artc MTF (Joanetes 1ª AMTF e 5ª AMTF)
  • Dedos em Garra
  • Supra e Infraduções Digitais
  • Hiperqueratoses, Helomas e Tilomas
  • Onicocriptoses, Onicólises
  • Metatarsalgias
  • Fasceítes Plantares
  • Talalgias: Entesites, Bursites, Síndrome Haglund
  • Entorses (favorecidas pela instabilidade)

 Sinais que indicam conflito entre o pé e o calçado:

  • Dor (metatarsalgias são as mais frequentes), Calor (sensação de queimadura), Eritema
  • Helomas, Tilomas e Hiperqueratoses
  • Onicólise, Onicocriptose, Hematomas Subungueais
  • Fictenas, Hematomas Subcutâneos
  • Atrofia ou Distrofia das unhas
  • Deformações Digitais
  • Entre outras

É de salientar que estas lesões são habitualmente causadas por microtraumatismos de repetição e/ou por calçado apertado e com salto demasiado alto. Também podem ocorrer reacções alérgicas ao material do calçado.

 

Estudo

 

Materiais e Métodos:

 

A amostra foi constituída por 100 pacientes do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 14 e os 92 anos de idade da Consulta de Podologia da Clínica do Estoril.

Foram excluídos da amostra pacientes com idade inferior a 14 anos e pacientes de sexo masculino.

Para a realização das avaliações foi necessário o uso de uma régua para medir a altura do salto do calçado das pacientes e o comprimento dos pés em centímetros.

No caso de calçado com sola compensada é necessário retirar o valor da compensação anterior ao valor altura do salto.

Usou-se uma Tabela de Conversão que relaciona a medida do pé em centímetros com o número de calçado. Para este trabalho escolheu-se a Numeração Europeia.

 

Legenda: Tabela de conversão Mondopoint

 

Com o paciente em bipedestação estática, mediu-se com uma régua calibrada em centímetros o comprimento total do pé, desde a extremidade posterior do osso calcâneo até a extremidade distal da falange distal do dedo mais comprido (que nem sempre corresponde ao primeiro dedo).

Através da medição dos pés e dos dedos dos pacientes da amostra determinou-se que cerca 25% do comprimento total do pé corresponde à zona digital, que se mantém paralela ao piso.


Resultados:

 

 

 

Análise e Tratamento de Dados:


No universo estudado o declive varia entre 2⁰ e 30⁰, sendo a altura mínima de tacão 1cm e máxima de 14cm.

 

Conclusão:


Concluímos que uma vez que a variação do número de calçado se encontra num intervalo limitado e reduzido (35 ao 40) e que por isso, não é muito significativa, o factor determinante é a altura do tacão.

A altura do tacão está intimamente relacionada com o declive do pé e varia na proporção directa deste.

Podemos concluir que sempre que o salto é superior a 5cm, o declive ultrapassa 10⁰ e por isso estamos na presença de um declive patológico, o que se verificou em 40% da amostra estudada, com uma altura de salto média de 7,5cm e um declive médio de 17,5⁰.

As faixas etárias de senhoras analisadas que usam maiores saltos, sujeitando o pé a maior declive, são as correspondentes aos 20-30 anos e aos 50-60 anos, com uma altura de salto média de 6,2cm e 7,0cm, ao que corresponde um declive médio de 14⁰ e de 16⁰, respectivamente.

A percentagem da amostra que utiliza um salto fisiológico corresponde a 60%, com uma altura de salto média de 2,7cm e um declive médio de 6,3⁰.

Assim, tendo em conta que devemos usar um salto que não esteja no limite máximo do desconforto para o organismo, podemos afirmar que para a maioria da população desta amostra o salto ideal varia entre os 2cm e os 4cm, dado que os números de calçado mais frequentes (77%) estão compreendidos entre o 36 e o 38 (Numeração Europeia).

 

…“As grandes tensões musculares que ocorrem ao andar de saltos altos podem no limite aumentar a probabilidade de lesões por tensão. Numa pessoa que usa saltos a maior parte da semana de trabalho, diz o Dr. Cronin, a posição do pé e da perna nos saltos torna-se a nova posição por defeito para as articulações e estruturas internas. Qualquer alteração desta definição de base diz, como calçar uns Keds ou uns Crocs, constitui um novo ambiente, que pode aumentar o risco de lesão. Há que salientar, diz ele, que no seu estudo os voluntários eram bastante jovens, uma média de 25 anos, o que sugere que não é necessário usar saltos durante muito tempo, ou seja, décadas, até estas adaptações começarem a acontecer. Tente, se possível, reduzir um pouco o calçado muito alto. Usar saltos altos talvez uma ou duas vezes por semana. E se isso não for viável tente tirar os sapatos de salto sempre que possível, por exemplo quando está sentada à secretária. Os sapatos continuam a ser lindos, mesmo aninhados ao lado dos seus pés”… [7]

 

Nos dias de hoje a moda e o papel activo e cada vez mais importante das mulheres na vida em sociedade levam a escolhas de calçado que podem não ser as mais adequadas.

Ao usarmos permanentemente saltos demasiado altos submetemos o nosso pé a um declive patológico superior ao declive máximo fisiológico de 10⁰. A médio e longo prazo isto irá provocar alterações biomecânicas que se podem tornar irreversíveis.

O papel do Podologista/Podiatra é fundamental para orientar e influenciar os pacientes na escolha do calçado adequado. Desta forma podemos contribuir para minimizar os problemas dos pés dos nossos pacientes e melhorar a sua qualidade de vida.

Se a pressão social sobre o aspecto e tipo de calçado ‘aceitável’ ou bonito para as mulheres e para a vida em sociedade mudasse, haveria muito menos problemas nos pés!

 

Referências:


[1] feetforlife.org. The Society of Chiropodists and Podiatrists. USA. 2009. FAQs – Feet Stats and Facts. 20/01/2009

[2] Goldcher A Barouk LS. Calcéologie Médicale. Ver Rhum. Sppl Pédagogique. 1998; 65-5966

[3] Goldcher A et Acker D. Peid et Higiène. Encycl Méd Chir. Editions Scientifiques et Médicales. Elsevier SAS, Paris, Podologie 27-140-A-20, 1999, 4p.

[4] Viladot A y colaboradores. Quince lecciones sobre patología del pie, 2ª Ed.. Springer-Verlag Ibérica. Barcelona. 2000: 181-190

[5] Massada, J. O Bipedismo no Homo Sapiens: postura recente. Nova Patologia. Lisboa: Editorial Caminho. SA. 2001

 [6] Barouk LS. La femme et sa Cahussure, Masson 1988: 91-106

[7] Cronin J, Reynolds G. A Scientific Look at the Dangers of High Heels .The Journal of Applied Physiology Musculoskeletal Research Program at Griffith University. Queensland, Australia. 2011

[8] Goldcher A. Manual de Podologia. Masson 1992: 27-31


publicado por Dra. Joana Azevedo às 15:25

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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

...

Pergunta:
Boa tarde!
Sou a Sofia R. e tenho 22 anos, e tomei conhecimento do seu blog ao pesquisar na internet ajuda para resolver um problema que tenho com os meus pés.
 
Passo a explicar o que me aconteceu: No passado dia 20 de Outubro tive um jantar de curso, como sabia que iria passar muitas horas de pé e a dançar decidi não calçar sapatos de salto alto, mas sim umas sabrinas, de salto raso. Durante a tarde desse dia andei com as tais sabrinas calçadas, para tentar que a frente fosse alargando, visto não as calçar frequentemente.
 
Passei grande parte da noite de forma confortável, mas chegou a uma altura em que comecei a ficar com os pés muitos inchados, algo que me costuma acontecer quando passo muito tempo em pé, e comecei também a ter dores nos 1ºs dedos de ambos os pés, algo que também me costuma acontecer e sem ser necessário estar tanto tempo com determinado tipo de calçado.
 
Mas, acontece que quando me descalcei vi que não era o fato de os meus pés estarem inchados, nem estavam muito, a causa das minhas dores, mas sim os dedos grandes de ambos os pés. Estes estavam inchados, e ao tocar nas unhas doía-me imenso. Passada quase uma semana os meus dedos continuam inchados, as unhas com tom escuro, parecendo estar levantadas, e tenho dores, até quando toco nas unhas.
 
Mas, ontem, dia 25 de Outubro estive a cortar as unhas, cuidadosamente, mas, quando estava na unha do 1º dedo do pé direito, o corta-unhas espetou um pouco na pele e saiu líquido (de tom avermelhado e transparente), parecia que tinha rebentado uma bolha de água. Depois, experimentei a espetar, com uma agulha, com cuidado, a pele por baixo das unhas de ambos os pés e foi saindo sempre líquido. Começou a deixar de sair. Esta manhã voltei a fazer o mesmo procedimento, tornou a sair líquido, fui espetando e apertando as unhas até deixar de sair....Mas sinto e vejo que há mais por baixo das unhas. Estas ainda mantêm um tom escuro.
 
Peço desculpa por mandar um e-mail tão longo, mas preciso saber o que devo fazer, que medicamentos devo aplicar.
 
Sem mais assunto de momento, desde já agradeço a atenção.
 
Cumprimentos, Sofia R.
 

Resposta:

Cara Sofia,

os sapatos ou sabrinas que utilizou realmente foram os causadores deste problema. Habitualmente este calçado apesar de largo, tem uma biqueira baixa o que pressiona muito a ponta dos dedos.

O líquido ensanguentado que descreve é processo inflamatório com sangue provocado por microtraumatismos de repetição causados pelo sapato. Levaram ao rompimento de capilares ou pequenos vasos por baixo das unhas e consequentemente provocaram um hematoma subungueal.

Nestes casos o melhor que se faz é drenar o conteúdo inflamatório e hemático, para retirar a pressão e aliviar a dor.

Numa primeira fase e durante alguns dias, deve-se aplicar um antisséptico à base de iodo ou clohexidina para quem é intolerante ao iodo. e pode-se aplicar uma pomada antibiotica para prevenir infecções bacterianas.

Após a cicatrização deve-se iniciar um tratamento antifúngico preventivo, pois é muito frequente a instalação de uma infecção fúngica após um traumatismo ungueal.
Para isso deve recorrer a um podologista para realizar uma limpeza adequada da unha e aplicar um antifúngico adequado ao seu problema.

Cumprimentos,

Joana Azevedo
Podologista

Clínica Parque do Estoril / Clínica da Beloura
Tel: 219236381/0

 


publicado por Dra. Joana Azevedo às 11:31

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SAÚDE - PREPARE OS SEUS PÉS PARA O INVERNO

(Artigo publicado em Outubro 2011 no Jornal 'Dica da Semana')

 

Cuide da sua Saúde e Bem-Estar

 

O uso regular de calçado fechado, essencial nos meses mais frios, propicia o aparecimento de alguns fungos nos pés, que muitas vezes são desvalorizados pelas pessoas. De facto, de acordo com um estudo realizado em 2007 pela Associação Portuguesa de Podologia, 86 por cento dos portugueses sofria de doenças nos pés, embora apenas 12 por cento dos inquiridos já tivesse ido a uma consulta de podologia, a ciência na área da saúde que estuda o pé. Segundo a podologista Joana Azevedo (http://podologia.sapo.pt/) “antes do inverno e do verão, quando mudamos de calçado aberto para fechado e de fechado para aberto respetivamente é a altura indicada procurar um podologista e fazer em check up podológico”.  Mas na verdade, quer seja durante o inverno, quer seja durante o verão, existe uma série de cuidados básicos a ter em conta, por forma a manter a saúde dos pés, ou não fossem eles a base de sustentação de todo o corpo. “Lavar diariamente os pés com água não muito quente e sabão de pH neutro; secá-los cuidadosamente com uma toalha macia, especialmente entre os dedos; aplicar um creme ou uma loção hidratante para manter a pele suave e hidratada; usar sempre meias limpas e de fibras naturais, tal como o algodão, ou evitar andar descalço particularmente em locais públicos”, são alguns dos conselhos básicos avançados pela podologista Joana Azevedo, que salienta ainda a importância de “efetuar um corte retilíneo das unhas não as deixando demasiado curtas; não tentar remover as calosidades com objetos cortantes, ou de fricção e não usar calicidas ou outros produtos suscetíveis de provocar lesões ou agressões na pele”. A escolha de calçado confortável e adequado ao pé é um dos aspetos mais importantes a ter em consideração para garantir a sua saúde e bem-estar, principalmente durante o inverno (ver caixa de texto), uma vez que muitas das patologias podológicas características desta época do ano surgem precisamente devido a uma má escolha do calçado. Entre as principais patologias que podem surgir nos pés durante o inverno, destaque para os “eritemas pérnios ou frieiras, as unhas encravadas, as micoses (onicomicoses e dermatomicoses, respectivamente) e os calos e calosidades (helomas ou hiperqueratoses) provocados pela pressão dos saltos altos e/ou fricção das frentes apertadas”, diz esta podologista. Importante será referir que “o hábito de pintar constantemente as unhas também pode levar ao aparecimento de patologias ungueais, tais como as onicomicoses, pois cria uma barreira que impede a oxigenação natural e própria das unhas”, refere Joana Azevedo. Além disso, também as peles ou cutículas em volta das unhas não devem ser totalmente removidas, uma vez que funcionam como uma barreira de proteção entre a unha e a pele para determinado tipo de micro-organismos, que só provocam danos no nosso corpo se tiverem acesso a uma espécie de porta de entrada. De salientar, que quer a pessoa faça a sua própria pedicure em casa, quer a faça em estabelecimentos próprios, sempre que detetar uma alteração da pele ou das unhas, bem como o aparecimento de calos e calosidades, deve consultar de imediato um especialista em patologias do pé, como é o caso dos podologistas, para tratar convenientemente a patologia de forma elimina-la, evitando assim que esta se torne crónica.

 

Caixa de texto

 

Calçado para o dia-a-dia

Principais características a ter em conta

 

De acordo com a podologista Joana Azevedo existem alguns critérios básicos a ter em consideração na hora de escolher o calçado ideal para o dia-a-dia. Devemos escolher sempre modelos:

 

  • em pele natural ou couro curtido;
  • com sola amortecedora e flexível, mas não demasiado mole para que não haja movimentos de torção do pé;
  • com frentes amplas, que respeitem a volumetria do pé e dos dedos para que caibam em toda a sua amplitude e se movam dentro do sapato sem sofrerem apertos e deformações;
  • com contraforte no calcanhar que sustente o calcanhar e impeça a instabilidade do pé;
  • com saltos não superiores a 3 cm.

 

De salientar, que segundo esta especialista “a altura ideal para comprar sapatos é ao final do dia, quando o pé está mais dilatado”.

 


publicado por Dra. Joana Azevedo às 10:52

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Sábado, 1 de Outubro de 2011

O Pé e o Calçado

A escolha do calçado adequado é muito importante para a saúde do pé e para o bem-estar físico e psíquico do ser Humano em geral.

O calçado inadequado é das principais causas de dor no pé, restante membro inferior e coluna. É também o principal responsável pela má postura, entorses e lesões que não se limitam apenas ao membro inferior.

‘Todos os anos a população feminina perde 44 milhões de dias de trabalho devido a dores, causadas pelos saltos altos e sapatos inadequados.’

‘As mulheres têm 4 vezes mais problemas nos pés do que os homens, devido ao calçado inadequado’ e principalmente, devido ao uso de saltos altos e frente apertadas.

A indústria do calçado é cada vez mais standardizada, o que inevitavelmente prejudica as capacidades funcionais do pé.

Na hora de escolher o ‘sapato ideal’ para o dia-a-dia e principalmente para quem passa muito tempo em pé ou tem problemas nos pés, deve perceber e respeitar a máxima:

‘O sapato adapta-se ao pé e não é o pé que se adapta ao sapato’

É errado pensar que podemos comprar um sapato que está justo ou um pouco apertado porque passado uns dias já alargou.

O facto de ter alargado com a ajuda do pé, significa que o pé esteve comprimido, apertado e em esforço dentro do sapato. O mais certo é ter provocado dor ou incómodo o que já não é bom, mas o pior é que certamente provocou alterações ou deformações osteo-articulares e/ou musculo-ligamentares que por vezes não são imediatamente visíveis, mas que no futuro podem ter consequências devastadoras para o pé, como os joanetes, os dedos em garra, e os calos ou calosidades, entre outras.

Se pensarmos na anatomia, fisiologia e função biomecânica do pé percebemos que o calçado imposto para a vida em sociedade e o caminhar sobre solos artificiais prejudicam as capacidades e propriedades biomecânicas naturais do pé.

Na realidade um objecto estático como é o sapato nunca pode adaptar-se na perfeição a um órgão dinâmico como é o pé. Isto resulta numa relação de compromisso com os inevitáveis conflitos que qualquer solução de compromisso acarreta.

O pé é um órgão ancestral que está preparado para caminhar descalço sobre terrenos irregulares e algo adaptáveis às suas curvaturas. Se pensarmos nisto percebemos que caminhar num solo liso e estático, como aquele que temos nas cidades e nas nossas casas, não é o mais adequado para grande maioria dos pés adultos.

É por isso que 2 a 3cm de salto é apropriado e até indicado para quase todos os adultos, uma vez que contribui para a adaptação do pé ao solo artificial e nada ergonómico dos nossos dias.

Sapatos, meias, ortóteses plantares (palmilhas) ortóteses digitais (elementos de silicone que protegem os dedos), devem respeitar a biomecânica do pé, favorecer e permitir o arejamento cutâneo, não impedir a liberdade dos dedos, evitar o deslizamento do pé para a frente e a estabilidade transversal do pé, evitando desequilíbrios e instabilidade do pé.

 

Características a ter em conta na escolha do calçado para o dia-a-dia:

  • Pele natural ou couro curtido.
  • Sola amortecedora (borracha/elastómero ou couro, mas este é mais duro e perde-se a propriedade de amortização dos choques) e flexível, mas não demasiado mole para que não haja movimentos de torção do pé.
  • Frentes amplas que respeitem a volumetria do pé e dos dedos para que caibam em toda a sua amplitude e se movam dentro do sapato sem sofrerem apertos e deformações.
  • Contraforte no calcanhar que sustente o calcanhar e impeça a instabilidade do pé (não se recomenda sapatos com contraforte mole no calcanhar).
  • Salto ideal entre 2 e 3 cm.

Mas há que estabelecer um critério de selecção dos saltos que não é igual para todas as mulheres.

O salto máximo fisiológico depende do declive do pé (inclinação do pé).

Sabemos que o declive máximo fisiológico é 10º, de forma a não colocar o pé bem como o restante membro inferior e coluna numa posição capaz de possibilitar alterações nefastas. 

O declive é a relação entre o comprimento do pé e a altura do tacão; deste modo, podemos dizer que:

  • Se calça 36/37 o salto máximo fisiológico é 3,5cm
  • Se calça 38/39 o salto máximo fisiológico é 4cm
  • Se calça 40/41 o salto máximo é 4,5cm

Os critérios básicos de selecção de calçado ideal para o dia a dia, são os acima referidos. Contudo existem outros critérios igualmente importantes que se puderem ser atendidos só trarão benefícios:

  • Comprar os sapatos ao final do dia (quando o pé está mais dilatado),
  • Escolher o número do sapato, atendendo ao comprimento do dedo mais comprido que nem sempre é o primeiro dedo (dedo mais gordinho ou hallux),
  • Evitar costuras, principalmente a nível digital,
  • Podem ter velcros, fivelas, elásticos ou atacadores que facilitam o ajustamento ou alargamento do sapato mediante a necessidade,
  • Devemos optar por marcas ou modelos de sapatos que já conhecemos, que tenhamos usado ou que sabemos que nos farão sentir bem,
  • Não devemos comprar sapatos apertados e que não ‘encaixem’ ou não se adaptem bem ao pé.

 

Resposta a algumas das Perguntas mais frequentes:

P: Qual é o tamanho ideal de salto que não comprometa a coluna ou uma má postura?

RESPOSTA

O salto máximo fisiológico depende do declive do pé (inclinação do pé).

Sabemos que o declive máximo fisiológico é 10º (de forma a não colocar o pé, o restante membro inferior e coluna numa posição capaz de possibilitar alterações nefastas). 

O declive é a relação entre o comprimento do pé e a altura do tacão; deste modo, podemos dizer que:

  • Se calça 36/37 o salto máximo fisiológico é 3,5cm
  • Se calça 38/39 o salto máximo fisiológico é 4cm
  • Se calça 40/41 o salto máximo é 4,5cm

As medidas acima referidas são as alturas máximas, pelo que devemos usar um salto que não esteja no limite máximo do desconforto para o organismo. Assim sendo podemos afirmar que para a maioria da população Portuguesa o Salto ideal varia entre 2 e 3 cm.

P: O sapato dito raso, não deverá ter alguns centímetros de salto? Porquê?

RESPOSTA

Se pensarmos na anatomia, fisiologia e função biomecânica do pé percebemos que o calçado imposto para a vida em sociedade e o caminhar sobre solos artificiais prejudicam as capacidades e propriedades biomecânicas naturais do pé.

Na realidade, um objecto estático como é o sapato nunca pode adaptar-se na perfeição a um órgão dinâmico como é o pé, isto resulta numa relação de compromisso com os inevitáveis conflitos.

O pé é um órgão ancestral que está preparado para caminhar descalço sobre terrenos irregulares e algo adaptáveis às suas curvaturas. Se pensarmos nisto percebemos que caminhar num solo liso e estático, como aquele que temos nas cidades e nas nossas casas, não é o mais adequado para grande maioria dos pés adultos.

É por isso que 2 a 3cm de salto é apropriado e até indicado para quase todos os adultos, uma vez que contribui para a adaptação do pé ao solo artificial e nada ergonómico dos nossos dias.

P: Actualmente há uma avalanche de cuidados para o pé, bem como uma oferta enorme em calçado anatómico (com um bom design) e que deixa o pé respirar. Haverá uma maior consciência de quão importante é o conforto do pé?

RESPOSTA

Sim, mas de facto ainda há um longo caminho a percorrer entre a ergonomia e o design. Muitas vezes há produtos com design atractivo e com rótulo ‘ergonómico’ ou ‘ortopédico’ usados abusivamente.

Por um lado percebemos que nos dias de hoje existe uma maior consciência e procura da saúde e do bem-estar, pelo que as pessoas procuram aquilo que é mais saudável, cómodo e as faz sentir bem.

Por outro lado a indústria e o mercado vão inovando e tentam levar até ao consumidor produtos cada vez melhores e mais atractivos.

Mas é nesta relação que por vezes está escondida uma realidade oposta. É que nem sempre o que é mais saudável, ergonómico e confortável para o pé, é o mais atractivo ou bonito, mediante os padrões de moda estabelecidos hoje em dia.

Sabendo as características que o calçado ideal deve ter facilmente percebemos que não se enquadram nas características do calçado moderno e estilizado que vemos nas sapatarias comuns. Por outro lado quando recorremos a lojas especializadas em calçado ergonómico, apercebemo-nos que na maioria dos casos não são assim tão ergonómicos ou têm um design que apenas se adequa a algumas pessoas.

P: Que conselhos dá a quem abusa dos saltos altos e a quem não se aguenta em cima de um salto?

RESPOSTA

O uso diário de saltos altos (acima de 4,5cm, já é um salto demasiado alto para quase todas as mulheres), pode provocar alterações irreversíveis a nível do membro inferior e da coluna vertebral e quase sempre provoca uma má postura.

O salto demasiado alto limita a base de sustentação do pé, o que se traduz numa superfície de apoio muito reduzida e desequilibrada, uma vez que as cargas são transferidas para a zona anterior do pé.

A nível do pé e restante membro inferior as alterações podem ser tão graves que muitas vezes são irreversíveis (mesmo recorrendo a cirurgia), como algumas formas de joanete ou Hallux Abductus Valgus, dedos em garra ou em martelo, encurtamento da musculatura posterior da perna (por vezes o paciente já nem é capaz de apoiar o calcanhar no chão), instabilidade do tornozelo (favorecendo entorses), metatarsalgias e fasceítes plantares (dores na planta do pé), calos, calosidades e unhas encravadas, entre outras.

A nível da coluna vertebral uma das alterações mais comuns é a hiperlordose (excesso de curvatura a nível lombar), que prejudica a postura e favorece o aparecimento de lesões osteo-articulares e musculo-ligamentares.

É verdade que o salto alto proporciona elegância, na medida em que alonga as pernas e favorece o ‘rabinho empinado’, mas o preço a pagar no futuro pode ser demasiado alto para alguns anos de elegância forçada.

O conselho que deixo a todas as mulheres é o que pratico; usem calçado confortável para o dia-a-dia e recorram aos saltos altos apenas em ocasiões especiais ou mais formais.

Desta forma prolongam a saúde e o bem-estar e evitam anos de sofrimento físico e psíquico.

Cumprimentos,

Joana Azevedo

Podologista

 

Contactos:

Blog: http://Podologia.sapo.pt

Mail: linhapodologica@sapo.pt

Telefone: 219236381

 


publicado por Dra. Joana Azevedo às 20:16

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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

O Pé e o Calçado

     A escolha do calçado adequado é muito importante para a saúde do pé e para o bem-estar físico e psíquico do ser Humano em geral.

O calçado inadequado é das principais causas de dor no pé, restante membro inferior e coluna. É também o principal responsável pela má postura, entorses e lesões que não se limitam apenas ao membro inferior.

 

    ‘Todos os anos a população feminina perde 44 milhões de dias de trabalho devido a dores, causadas pelos saltos altos e sapatos inadequados.’

 

    ‘As mulheres têm 4 vezes mais problemas nos pés do que os homens, devido ao calçado inadequado’ e principalmente, devido ao uso de saltos altos e frente apertadas.

 

     A indústria do calçado é cada vez mais standardizada, o que inevitavelmente prejudica as capacidades funcionais do pé.

 

     Na hora de escolher o ‘sapato ideal’ para o dia-a-dia e principalmente para quem passa muito tempo em pé ou tem problemas nos pés, deve perceber e respeitar a máxima:

     ‘O sapato adapta-se ao pé e não é o pé que se adapta ao sapato’

     

     É errado pensar que podemos comprar um sapato que está justo ou um pouco apertado porque passado uns dias já alargou.

     O facto de ter alargado com a ajuda do pé, significa que o pé esteve comprimido, apertado e em esforço dentro do sapato. O mais certo é ter provocado dor ou incómodo o que já não é bom, mas o pior é que certamente provocou alterações ou deformações osteo-articulares e/ou musculo-ligamentares que por vezes não são imediatamente visíveis, mas que no futuro podem ter consequências devastadoras para o pé, como os joanetes, os dedos em garra, e os calos ou calosidades, entre outras.

    

    Se pensarmos na anatomia, fisiologia e função biomecânica do pé percebemos que o calçado imposto para a vida em sociedade e o caminhar sobre solos artificiais prejudicam as capacidades e propriedades biomecânicas naturais do pé.

 

    Na realidade um objecto estático como é o sapato nunca pode adaptar-se na perfeição a um órgão dinâmico como é o pé. Isto resulta numa relação de compromisso com os inevitáveis conflitos que qualquer solução de compromisso acarreta.

 

    O pé é um órgão ancestral que está preparado para caminhar descalço sobre terrenos irregulares e algo adaptáveis às suas curvaturas. Se pensarmos nisto percebemos que caminhar num solo liso e estático, como aquele que temos nas cidades e nas nossas casas, não é o mais adequado para grande maioria dos pés adultos.

 

     É por isso que 2 a 3cm de salto é apropriado e até indicado para quase todos os adultos, uma vez que contribui para a adaptação do pé ao solo artificial e nada ergonómico dos nossos dias.

Sapatos, meias, ortóteses plantares (palmilhas) ortóteses digitais (elementos de silicone que protegem os dedos), devem respeitar a biomecânica do pé, favorecer e permitir o arejamento cutâneo, não impedir a liberdade dos dedos, evitar o deslizamento do pé para a frente e a estabilidade transversal do pé, evitando desequilíbrios e instabilidade do pé.

 

 

Características a ter em conta na escolha do calçado para o dia-a-dia:

  • Pele natural ou couro curtido.
  • Sola amortecedora (borracha/elastómero ou couro, mas este é mais duro e perde-se a propriedade de amortização dos choques) e flexível, mas não demasiado mole para que não haja movimentos de torção do pé.
  • Frentes amplas que respeitem a volumetria do pé e dos dedos para que caibam em toda a sua amplitude e se movam dentro do sapato sem sofrerem apertos e deformações.
  • Contraforte no calcanhar que sustente o calcanhar e impeça a instabilidade do pé (não se recomenda sapatos com contraforte mole no calcanhar).
  • Salto ideal entre 2 e 3 cm.

Mas há que estabelecer um critério de selecção dos saltos que não é igual para todas as mulheres.

O salto máximo fisiológico depende do declive do pé (inclinação do pé).

Sabemos que o declive máximo fisiológico é 10º, de forma a não colocar o pé bem como o restante membro inferior e coluna numa posição capaz de possibilitar alterações nefastas. 

O declive é a relação entre o comprimento do pé e a altura do tacão; deste modo, podemos dizer que:

  • Se calça 36/37 o salto máximo fisiológico é 3,5cm
  • Se calça 38/39 o salto máximo fisiológico é 4cm
  • Se calça 40/41 o salto máximo é 4,5cm

Os critérios básicos de selecção de calçado ideal para o dia a dia, são os acima referidos. Contudo existem outros critérios igualmente importantes que se puderem ser atendidos só trarão benefícios:

  • Comprar os sapatos ao final do dia (quando o pé está mais dilatado),
  • Escolher o número do sapato, atendendo ao comprimento do dedo mais comprido que nem sempre é o primeiro dedo (dedo mais gordinho ou hallux),
  • Evitar costuras, principalmente a nível digital,
  • Podem ter velcros, fivelas, elásticos ou atacadores que facilitam o ajustamento ou alargamento do sapato mediante a necessidade,
  • Devemos optar por marcas ou modelos de sapatos que já conhecemos, que tenhamos usado ou que sabemos que nos farão sentir bem,
  • Não devemos comprar sapatos apertados e que não ‘encaixem’ ou não se adaptem bem ao pé.

Resposta a algumas das Perguntas mais frequentes:

  

P: Qual é o tamanho ideal de salto que não comprometa a coluna ou uma má postura?

R: O salto máximo fisiológico depende do declive do pé (inclinação do pé).

Sabemos que o declive máximo fisiológico é 10º (de forma a não colocar o pé, o restante membro inferior e coluna numa posição capaz de possibilitar alterações nefastas). 

O declive é a relação entre o comprimento do pé e a altura do tacão; deste modo, podemos dizer que:

  • Se calça 36/37 o salto máximo fisiológico é 3,5cm
  • Se calça 38/39 o salto máximo fisiológico é 4cm
  • Se calça 40/41 o salto máximo é 4,5cm

As medidas acima referidas são as alturas máximas, pelo que devemos usar um salto que não esteja no limite máximo do desconforto para o organismo. Assim sendo podemos afirmar que para a maioria da população Portuguesa o salto ideal varia entre 2 e 3 cm.

 

  P: O sapato dito raso, não deverá ter alguns centímetros de salto? Porquê?

  R: Se pensarmos na anatomia, fisiologia e função biomecânica do pé percebemos que o calçado imposto para a vida em sociedade e o caminhar sobre solos artificiais prejudicam as capacidades e propriedades biomecânicas naturais do pé.

Na realidade, um objecto estático como é o sapato nunca pode adaptar-se na perfeição a um órgão dinâmico como é o pé, isto resulta numa relação de compromisso com os inevitáveis conflitos.

O pé é um órgão ancestral que está preparado para caminhar descalço sobre terrenos irregulares e algo adaptáveis às suas curvaturas. Se pensarmos nisto percebemos que caminhar num solo liso e estático, como aquele que temos nas cidades e nas nossas casas, não é o mais adequado para grande maioria dos pés adultos.

É por isso que 2 a 3cm de salto é apropriado e até indicado para quase todos os adultos, uma vez que contribui para a adaptação do pé ao solo artificial e nada ergonómico dos nossos dias.

 

 P: Actualmente há uma avalanche de cuidados para o pé, bem como uma oferta enorme em calçado anatómico (com um bom design) e que deixa o pé respirar. Haverá uma maior consciência de quão importante é o conforto do pé?

 R: Sim, mas de facto ainda há um longo caminho a percorrer entre a ergonomia e o design. Muitas vezes há produtos com design atractivo e com rótulo ‘ergonómico’ ou ‘ortopédico’ usados abusivamente.

Por um lado percebemos que nos dias de hoje existe uma maior consciência e procura da saúde e do bem-estar, pelo que as pessoas procuram aquilo que é mais saudável, cómodo e as faz sentir bem.

Por outro lado a indústria e o mercado vão inovando e tentam levar até ao consumidor produtos cada vez melhores e mais atractivos.

Mas é nesta relação que por vezes está escondida uma realidade oposta. É que nem sempre o que é mais saudável, ergonómico e confortável para o pé, é o mais atractivo ou bonito, mediante os padrões de moda estabelecidos hoje em dia.

Sabendo as características que o calçado ideal deve ter facilmente percebemos que não se enquadram nas características do calçado moderno e estilizado que vemos nas sapatarias comuns. Por outro lado quando recorremos a lojas especializadas em calçado ergonómico, apercebemo-nos que na maioria dos casos não são assim tão ergonómicos ou têm um design que apenas se adequa a algumas pessoas.

 

 P: Que conselhos dá a quem abusa dos saltos altos e a quem não se aguenta em cima de um salto?

 R:O uso diário de saltos altos (acima de 4,5cm, já é um salto demasiado alto para quase todas as mulheres), pode provocar alterações irreversíveis a nível do membro inferior e da coluna vertebral e quase sempre provoca uma má postura.

O salto demasiado alto limita a base de sustentação do pé, o que se traduz numa superfície de apoio muito reduzida e desequilibrada, uma vez que as cargas são transferidas para a zona anterior do pé.

A nível do pé e restante membro inferior as alterações podem ser tão graves que muitas vezes são irreversíveis (mesmo recorrendo a cirurgia), como algumas formas de joanete ou Hallux Abductus Valgus, dedos em garra ou em martelo, encurtamento da musculatura posterior da perna (por vezes o paciente já nem é capaz de apoiar o calcanhar no chão), instabilidade do tornozelo (favorecendo entorses), metatarsalgias e fasceítes plantares (dores na planta do pé), calos, calosidades e unhas encravadas, entre outras.

A nível da coluna vertebral uma das alterações mais comuns é a hiperlordose (excesso de curvatura a nível lombar), que prejudica a postura e favorece o aparecimento de lesões osteo-articulares e musculo-ligamentares.

É verdade que o salto alto proporciona elegância, na medida em que alonga as pernas e favorece o ‘rabinho empinado’, mas o preço a pagar no futuro pode ser demasiado alto para alguns anos de elegância forçada.

O conselho que deixo a todas as mulheres é o que pratico; usem calçado confortável para o dia-a-dia e recorram aos saltos altos apenas em ocasiões especiais ou mais formais.

Desta forma prolongam a saúde e o bem-estar e evitam anos de sofrimento físico e psíquico.

 

Cumprimentos,

Joana Azevedo

Podologista

 

Contactos:

Blog: http://Podologia.sapo.pt

Mail: linhapodologica@sapo.pt

Telefone: 219236381

 


publicado por Dra. Joana Azevedo às 19:01

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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Aprenda a escolher bem o calçado

Nos links abaixo, pode saber mais sobre as características que o calçado para o dia a dia deve ter e que cuidados deve ter na hora de escolher o calçado.

 

http://youtu.be/MEe41hx0jvc

 

http://youtu.be/iXIZ9U2iRAk

 

Espero que os videos lhe sejam úteis!!!

 

Cumprimentos

 

Joana Azevedo

Podologista

 

Clínica Parque do Estoril / Clínica da Beloura

219236381/0


publicado por Dra. Joana Azevedo às 21:15

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Domingo, 13 de Janeiro de 2008

O Calçado e o doente Diabético

          Os pés dos pacientes diabéticos devem ser sempre objecto de estudo e dedicação para os podologistas dada a fragilidade das estruturas a ele inerentes, as deformações específicas dos pés e a ausência precoce de sensibilidade.
                     Na realidade, segundo estudos recentes, o calçado inadequado é o principal factor precipitante das lesões ulcerativas do pé diabético.
                     A instabilidade do pé diabético associada à falência de mecanismos de protecção intrínsecos e ausência de sensibilidade às agressões extrínsecas, aumentam o risco de aparecimento de hiperpressões, deformações e possivelmente ulcerações.
 
                     Quando existe ausência de sensibilidade do pé, o aconselhamento do podologista na compra do calçado é fundamental para protecção eficaz do pé e simultaneamente para correcção do seu posicionamento, com distribuição das hiperpressões, correcção das deformações reversíveis e protecção das irreversíveis.
  
          Se a sensibilidade estiver mantida, o diabético poderá adquirir o seu calçado, mas sempre com indicação que deve ser confortável, adaptado e protector.
  
          O calçado para diabéticos designado de semi-ortopédico de prevenção deve respeitar as seguintes características.
 
 
          Sapatos macios e maleáveis evitando costuras interiores, para evitar zonas de fricção, potenciais locais do aparecimento de lesões;
 
           A parte anterior ampla com boa caixa, biqueira arredondada, para evitar posicionamentos viciosos que possam contribuir de forma directa para a deformação dos dedos, onicocriptoses (unhas encravadas), hematomas subungueais, hiperqueratoses e um consequente meio interdigital quente e húmido facilitando a maceração da pele, originando a proliferação de fungos e bactérias;
 
           Deverá movimentar os dedos no sapato;
 
          O tacão deverá ter entre 2 a 2,5cm;
 
           A região dorsal do sapato deverá ter a capacidade de distensão mediante cordões ou velcro;
 
          Calcanhar com contraforte;
 
           Bordo de abertura do sapato almofadado;
  
          Sola rígida mas flexível e antiderrapante;
  
          Caixa alta e ampla, para sentir os pés confortáveis e bem adaptados aos sapatos, não devem ser apertados nem demasiado folgados, habitualmente adquire-se um número acima.
 
          Enquanto novos, não iniciar a marcha com períodos superiores a duas horas e deverá examinar cuidadosamente os pés.
 
          O diabético deverá experimentar os sapatos ao fim do dia, quando os pés se encontram mais edemaciados.
 
           Dentro do calçado semi-ortopédico temos os sapaos de prevenção que são os standardizados (já referidos) e os de ajustamento individual que permitem efectuar alterações personalizadas à deformidade do doente, como no caso de Hallux Abductus Valgus, joanetes, dedos em garra. O sapato ortopédico é aquele que é confeccionado através do molde do pé do doente.
  
          Depois de bem calçado deve-se avaliar todas as zonas sujeitas a traumatismo e confeccionar sistemas de alívio de pressão, como é o caso das ortóteses de silicone e das ortóteses plantares, podendo estes sere usados para a prevenção das lesões e para acelerar a cura das úlceras, nunca esquecendo a máxima PÉ - ORTÓTESE - SAPATO. 
  
 Texto adaptado da monografia do VIII Congresso Europeu de Podologia / I Congresso da Associação Portuguesa de Podologia: Uma Dinâmica Europeia; Conferência: "O calçado e o doente diabético", Dra. Rosa Teles Costa, Torre do Tombo, Junho de 2006
 
 

publicado por Dra. Joana Azevedo às 20:48

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Dra. Joana Azevedo
Podologista
Licenciada pela Escola Superior de Saúde do Vale do Ave. Especialização no New York College of Podiatric Medicine (NYCPM). Exerce actividade clínica desde 2003 com cédula profissional nº 128 da Associação Portuguesa de Podologia. Membro fundador do Núcleo de Podologia da ESSVA. Podologista do canal Sapo Saúde desde 2005. Actualmente tem consultórios no Estoril.

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Consultórios:

Clínica Parque do Estoril - Grupo Cordeiro Saúde
Tel. 219236381
Av. Aida, 153 Lj - 2765-187 Estoril
(em frente ao jardim do casino, a 50m da estação da CP do Estoril)



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